05/02/12
01/02/12
31/01/12
escrever para afugentar a crise
Dou-vos um parágrafo e podem completá-lo como quiserem. É esse o jogo. Não há regras. O ponto de partida é meu, o resto do caminho é vosso e são livres de seguirem por onde acharem melhor. A personagem só tem nome e o contexto é vago. Decidam quem é, como é e o que fará a seguir. Levem o tempo que quiserem e usem os caracteres que vos apetecer. Completem a história numa linha, num parágrafo ou em oitenta páginas. Fica inteiramente ao vosso critério. Ou não completem e deixem tudo ainda mais suspenso do que estava no início. Depois, enviem-me o resultado (usem isto). Não é um concurso, não há prémio, menção honrosa ou reprovação. Vale tudo. Vou publicando os resultados por aqui e prometo escrever o nome dos autores a negrito para deixar bem claro como os respeito. Estamos entendidos? Vá. Façam-me a vontade.
Começa assim:
Penélope Machine não devia nada a ninguém. Não tinha inimigos. Nem sequer tinha amigos dignos desse nome por imposição de uma actividade profissional que não escolhera e que proibia grandes contactos sociais. Os vizinhos não a conheciam. Não sabiam como se chamava ou o que fazia. Desconheciam os seus hábitos, as horas de entrada e de saída. Muitos, quando com ela se cruzavam, jurariam que era a primeira vez que a viam, apesar de não ser verdade. Não a incomodava. Preferia que fosse assim e facilitava-lhe muito a vida. Eliminados credores, inimigos, amigos ou vizinhos, não restava ninguém que pudesse culpar por acordar zonza, dorida, obviamente drogada e com um cadáver nu e ainda quente na cama a seu lado.
26/01/12
ego
Uma viagem muito breve aos meandros da arte, que alguém classificou algum dia como "esse mundo de desavergonhados". Aqui.
19/01/12
a quem possa interessar
Há uma nova história disponível aqui e na secção "Livros & Etc" do site. Nos formatos do costume.
Num futuro longínquo em que a razão reina suprema, a descoberta de um artefacto proveniente de uma era devastada por emoções primitivas traz o caos a uma estação arqueológica remota.
Num futuro longínquo em que a razão reina suprema, a descoberta de um artefacto proveniente de uma era devastada por emoções primitivas traz o caos a uma estação arqueológica remota.
17/01/12
ponto.com
Chega uma altura na vida de todos nós em que decidimos transformar o nosso nome num domínio internético. Podemos adiar, podemos barafustar, podemos espernear, mas é inevitável. É a minha vez. Façam favor de entrar e sintam-se em casa. Não se deixem intimidar pelo nome em letras gigantes e vermelhas lá em cima. Juro que o meu ego não é proporcional.
16/01/12
E os dois volumes de "O Medo do Homem Sábio" vão para...
...
(rufo de tambor)
Carina Portugal, autora desta pérola poética:
Vê quão pequena é
A hombridade de se ser quem não é,
Como a serapilheira que quis ser cobertor
Do palito em chamas que a queimou de dor.
Muito obrigado a todos os que participaram. Houve frases excelentes.
(rufo de tambor)
Carina Portugal, autora desta pérola poética:
Vê quão pequena é
A hombridade de se ser quem não é,
Como a serapilheira que quis ser cobertor
Do palito em chamas que a queimou de dor.
Muito obrigado a todos os que participaram. Houve frases excelentes.
10/01/12
o regime jurídico da cópia privada
No dia 17 de Dezembro de 2011, foi publicado no Diário da República o Projecto de Lei 118/XII, que aprova o regime jurídico da cópia privada e faz alterações ao Código do Direito de Autor. Entrará em vigor quando se cumprirem trinta dias desde a data de publicação. Sem querer fingir que sou fluente em juridiquês, há coisas que me apetece dizer. São estas:
- Os cidadãos passam a pagar uma taxa acrescida a equipamentos capazes de reproduzir obras protegidas como compensação pela cópia privada das mesmas. Quer a façam ou não. Compreendo a injustiça de usufruir de uma obra sem que o autor seja compensado. Não compreendo a justiça de forçar um estudante que compra uma pen USB para guardar e transportar os seus trabalhos escolares e que nunca pirateou nada na vida (de certeza que haverá alguém nestas condições... não?) a pagar por um acto que não cometeu nem pretende cometer.
- Ao legislar desta forma, o Estado arruma inteligentemente a questão da cópia privada. Ou, pelo menos, será essa a convicção dos legisladores. Talvez se enganem. Se o cidadão paga uma compensação pela possibilidade de usar um equipamento de cópia, é-lhe reconhecido o direito de a efectuar. E, se a cópia é privada, tem o direito de fazer com ela o que bem entenda, desde que não saia dessa esfera privada. Ou seja, poderá oferecer a cópia a um amigo. Pessoalmente, enviando-lha pelo correio ou por transferência digital. Sem ter de voltar a ouvir ameaças e queixas de editoras e distribuidoras. Todos sabemos que isso não acontecerá.
- Depois há as bizarrias na lista dos equipamentos específicos a taxar. Na tabela onde consta a "compensação sobre aparelhos, equipamentos e instrumentos técnicos de reprodução de obras escritas", diz-se isto: "equipamentos multifunções de secretária, de impressão, com ecrã de reprodução, com capacidade para realizar pelo menos duas das seguintes funções: cópia, impressão, fax ou digitalização." Portanto, um scanner sem funções adicionais ficará isento de qualquer compensação. Quem fotocopiar um livro ou o digitalizar para impressão imediata, terá de pagar por isso, mas quem o digitalizar para impressão posterior numa impressora simples ou para o converter em pdf ou ebook não.
Já os discos rígidos e as memórias não são taxados de forma unitária mas por cada gigabyte de capacidade. Por exemplo, um disco rígido com capacidade de 1 terabyte terá um acréscimo de 20€ ao preço de venda (2 cêntimos por cada giga). Diz-se no preâmbulo que a lei se faz porque tinham passado seis anos desde a lei anterior sobre esta matéria, considerando-se fundamental uma revisão. Pensando na velocidade com que evolui a capacidade de memória destes dispositivos, ou os esclarecidos legisladores pretendem rever o diploma e ajustar os valores de dois em dois anos ou chegaremos a um ponto em que os cartões de memória trarão apartamentos e automóveis como brinde.
- O artigo 5º do projecto de lei diz o seguinte: "A compensação equitativa de autores, e de artistas, intérpretes ou executantes, é inalienável e irrenunciável, sendo nula qualquer cláusula contratual em contrário." Ou seja, impedem-se os contratos abusivos que procurem anular esse direito de compensação e, ao mesmo tempo, nega-se ao autor o direito de distribuir gratuitamente uma obra sua sem ser compensado.
- Por fim, convém não esquecer um pormenor importante. O prejuízo para os autores da distribuição gratuita de obras protegidas é insignificante ou mesmo inexistente. Basta de apresentar medidas deste tipo como esforços para proteger os autores. O que se faz é sucumbir às pressões de quem lucra verdadeiramente: as editoras e distribuidoras (frequentemente grandes empresas multinacionais que colocam o lucro acima de preocupações com a qualidade e que asfixiam tentativas de edição e distribuição independente). E uma eventual redução mínima nas receitas não será a catástrofe cultural que nos tentam impingir. Significará apenas que um punhado de executivos multimilionários terá reduções tão ínfimas nas suas contas bancárias astronómicas que nem sequer darão por elas.
O disco não destruiu a música, a televisão não destruiu o cinema, a fotocópia não destruiu o livro, a cassete áudio não destruiu a rádio e o VHS não destruiu a televisão. Os computadores e a internet também não o farão. A forma como consumimos cultura alterou-se de forma definitiva. Quem não souber adaptar-se, merece ficar para trás.
05/01/12
o escapismo nas suas múltiplas vertentes
Uma mistura de factores (tempos demasiado trabalhosos, número elevado de páginas com letra miúda, férias e época festiva pelo meio) fizeram deste o livro que me lembro de demorar mais tempo a ler. Comecei em Setembro e acabei ontem. Cinco meses de dois anos diferentes. Valeu cada página. E é tão bom como este trailer feito por um fã é terrível.
28/12/11
um almoço nunca é de graça, mas os livros podem ser
Os dois volumes de "O Medo do Homem Sábio" de Patrick Rothfuss, continuação de "O Nome do Vento" (as duas partes com tradução minha) para quem enviar a melhor frase contendo obrigatoriamente as seguintes palavras:
hombridade
1. Aspecto varonil.
2. Dignidade, nobreza de carácter .
3. Altivez louvável.
4. Desejo de ombrear.
serapilheira
1. Tecido grosseiro para envolver fardos.
2. Pano com que se limpa o chão quando o lavam.
palito
1. Haste fina usada para limpar os dentes ou para levar à boca pequenos alimentos.
2. Objecto com forma de pequeno pau.
3. Biscoito comprido.
4. Fósforo de madeira.
5. [Informal] Pessoa muito magra.
Máximo de 140 caracteres. Frases deixadas como comentário no facebook, goodreads e no blog, enviadas por mensagem directa no twitter. Acrescentar uma forma de contacto (email ou link para perfil) aos comentários no blog. Oferta válida só para o território português. Prazo: 15 de Janeiro.
27/12/11
alguém se portou muito bem durante o ano para receber uma prenda destas
Filipa Brazona, apresentadora do Insert Coin, magazine de jogos do canal AXN, mostrando como está feliz com a rica prenda que lhe calhou no sapatinho. (O que foi? Bem enrolado cabe em qualquer sapato. É tudo uma questão de força.)
19/12/11
13/12/11
05/12/11
os críticos
Diz-se que é desaconselhável responder a críticos. Não sei se isto se aplica apenas a quem diz coisas menos positivas sobre o que fazemos ou também a quem elogia. Para não correr riscos, talvez seja melhor depreender que se aplicará nas duas situações. Pessoalmente, devo admitir que nem sempre cumpri. Tempos houve em que me custava muito aceitar que houvesse gente a questionar a perfeição divina de coisas que me saíam dos dedos. Isto apesar de eu próprio a rejeitar e de encontrar defeitos múltiplos linha sim, linha não. É um enorme paradoxo. Talvez seja hipocrisia. Mas chamemos-lhe "idiossincrasia de autor". Sempre fica mais enfeitado.
Outro paradoxo é que também eu já fui/ainda sou crítico. Expressei opiniões absolutamente pessoais e fundamentadas (quando o são) com argumentos por mim formulados com o objectivo expresso de dar a entender que o que digo tem alguma solidez e não assenta apenas sobre a frágil realidade de gostar ou não de determinado filme, livro ou programa de televisão. De gostar muito, pouco ou assim-assim. Com estes sólidos alicerces de coisa nenhuma, permiti-me (e ainda permito) o direito de registar opiniões tantas vezes desconhecedoras, injustas ou injustificadas sobre coisas produzidas por pessoas quase sempre mais competentes do que eu na sua área específica.
E faço-o por duas razões. Em primeiro lugar, porque posso. É sempre um excelente motivo. Em segundo lugar, porque a abençoada liberdade de expressão em que ainda vamos vivendo me permite falar livremente sobre o que me apeteça sem me obrigar a demonstrar competência prévia para o fazer. Além disso, acredito que uma crítica, profissional ou não (há factores mais relevantes para apreciar a validade de uma opinião do que o facto de o seu autor ter ou não sido pago para a emitir), é algo de inestimável. Quando faltam opiniões de amigos ou de conhecidos em cujo juízo confiamos, é pela palavra dos críticos que conhecemos uma obra e que, lamentável mas inevitavelmente, a vamos julgando sem a conhecermos. Muitos não passarão daqui e viverão felizes e contentes com esta opinião emprestada. Outros procurarão confirmar de alguma forma o que leram ou ouviram e formularão juízo próprio. Um modus operandi não é mais louvável que o outro. Cada qual saberá de si.
Com os anos, fui aprendendo a não levar as coisas tão a peito. Aceitei que não era pessoal (confissão de crítico arrependido: muitas vezes, até é) e que faz tudo parte do grande esquema cósmico que rege estas coisas. Cria-se algo que é posteriormente tornado público por livre e expressa vontade do seu autor e quem gosta tem o direito absoluto e inalienável de dizer o que lhe pareceu. Quem não gosta também. Mesmo quando é muito injusto ou quando roça os limites da maldade. Mesmo quando atribui a um autor intenções que nunca teve, inspirações que nunca pretendeu seguir ou quando insinua acusações sem qualquer fundamento. Por exemplo, quando, a propósito de um livro que pretendia ser humorístico, diz que algumas piadas são "pirateadas" sem apresentar uma lista das mesmas e sem referir quais serão os originais supostamente rapinados. Outro alvo menos paradoxal poderia exigir isto mesmo, mas eu não. Nem sequer lhe digo que está enganado e que as piadas em questão, boas ou más, são todas de minha responsabilidade. Limito-me a enviar daqui um grande abraço a este crítico em específico, a agradecer-lhe a sua opinião e a desejar-lhe a melhor das sortes. Bem hajas.
30/11/11
parabéns, samuel langhorne clemens
"Um banqueiro é um sujeito que nos empresta um guarda-chuva quando o sol brilha e que o quer devolvido logo que começa a chover."
Mark Twain
28/11/11
charadismo
25/11/11
a josé maria eça de queirós, por ocasião do seu 166º aniversário
"Contar histórias é uma das mais belas ocupações humanas: e a Grécia assim o compreendeu, divinizando Homero que não era mais que um sublime contador de contos da carochinha. Todas as outras ocupações humanas tendem mais ou menos a explorar o homem; só essa de contar histórias se dedica amoravelmente a entretê-lo, o que tantas vezes equivale a consolá-lo. Infelizmente, quase sempre, os contistas estragam os seus contos por os encherem de literatura, de tanta literatura que nos sufoca a vida!"
22/11/11
judas!
A fotografia é do Fórum Fantástico, mas tem qualquer coisa de Última Ceia com elenco reduzido por contenção de custos.
21/11/11
o livro que se segue
- É mesmo verdade que andas a escrever um livro infanto-juvenil?
- Claro que é.
- E podes provar?
- Claro que posso.
Portanto, em rigoroso exclusivo, aqui fica a estreia mundial de "Livro Ainda Sem Título Definitivo".
18/11/11
o desejo do dia
The piña colada is a sweet, rum-based cocktail made with rum, cream of coconut, and pineapple juice, usually served either blended or shaken with ice. It may be garnished with a pineapple wedge or a maraschino cherry or both. The piña colada has been the official beverage of Puerto Rico since 1978.
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